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CONFRARIA DOS ESPORTES ACOMPANHA DE PERTO FÓRUM NACIONAL – “BRASIL, O PAÍS DOS ESPORTES”
6/6/2008

Na última semana de maio, foi realizado um evento de grande repercussão no âmbito esportivo: o Fórum Nacional – “Brasil, o país dos esportes”. Com presenças ilustres, como a do Ministro dos Esportes Orlando Silva Jr., do prefeito de São Paulo, de secretários estaduais de esportes e de outras personalidades do esporte, o Fórum foi um grande sucesso. E a Confraria dos Esportes esteve presente. Mais do que isso, traz para você, confrauta, duas entrevistas exclusivas. Uma delas justamente com o Ministro Orlando Silva Júnior e outra com o campeão olímpico Aurélio Miguel. Finalmente, destacamos o brilhante trabalho do confrade Gustavo Delbin, que participou de uma das bancadas ao lado do Dr. Miguel Aidar (ex-presidente do São Paulo F.C.), abordando temas como a Lei Pelé e a Lei de Incentivo ao Esporte. Acompanhem, a seguir, os principais trechos das entrevistas.

                                    

Confrade Martinho e o Ministro Orlando Silva Júnior

 

Confrade responsável: Martinho

Fotos: Confradessa Elisangela

 

Confraria dos Esportes: Ministro, conforme um dos temas abordados em sua palestra no Fórum Nacional, existe uma grande expectativa na escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Antes, porém, precisamos superar algumas fases. Lembrando que o Brasil jamais teve alguma cidade que ultrapassou a primeira fase, o que o brasileiro pode esperar dessa vez?

Ministro Orlando Silva Jr.: Veja, realmente não é simples. O Brasil se apresentou este ano com mais força. E isso aconteceu por diversos fatores. Ou seja, pelo sucesso dos Jogos Pan-Americanos (disputados em 2007 na própria cidade do Rio), pela motivação que nós percebemos da comunidade internacional com as ações feitas no Brasil a favor do esporte, por ser um plano mais detalhado, sendo que o nosso projeto prevê a transformação do Rio de Janeiro, com investimentos na infra-estrutura. Isso deixa claro que as Olimpíadas aqui deixarão um grande legado para o Brasil. É uma luta dura, pois são concorrentes difíceis como Chicago, Tóquio e Madri, também correndo por fora Baku, Doha e Praga. Mas estou confiante e creio que isso vai coroar um ciclo virtuoso que vive o esporte em nosso país.

 

CE: O senhor tem sido muito elogiado pelo mundo esportivo (jornalistas, políticos internacionais) pelo trabalho que tem feito no Ministério do Esporte. Como será quando chegar ao final do mandato do presidente Lula, ou seja, existe uma preocupação com a transição que ocorrerá de 2010 para 2011?

OSJ: O esforço nosso é que, independente de quem seja o ministro, você tenha uma política nacional de esporte que se desenvolva. E isso pode acontecer com a mobilização das Universidades, dos gestores estaduais (secretários estaduais), dos gestores municipais (secretários municipais), das categorias profissionais que atuam na área do esporte. Então, o nosso esforço é o de institucionalizar a política de esporte, para que ela aconteça independentemente do gestor de plantão. Ou seja, independente do partido político, do presidente. É assim que pretendemos consolidar o sonho de fazer do Brasil uma potência esportiva.

 

CE: Ministro, o senhor também abordou em sua palestra a criação de centros de excelência. Podemos citar o centro criado na cidade de Curitiba visando o desenvolvimento da ginástica olímpica. Há dez anos, o esporte não obtinha resultados expressivos no cenário mundial. A situação de hoje é bastante favorável, com chances reais de medalhas nos Jogos Olímpicos de Pequim, tanto no masculino (Diego Hypólito) quanto no feminino (Jade Barbosa e Daiane dos Santos). Por outro lado, é muito difícil desenvolver centros de excelência para todas as modalidades esportivas. Como é feita a escolha das modalidades que serão agraciadas com esses centros?

OSJ: Aliás, é difícil realizar mundiais de todas as modalidades (não só centros de excelência), porque são muitas. Agora, o apoio a todas as modalidades é muito importante. Hoje, posso dizer que há uma discussão conjunta com cada Confederação. Por exemplo, nós temos hoje no Rio de Janeiro, em Deodoro mais especificamente falando, o Centro Nacional de treinamento de Tiro Esportivo e que é realizado juntamente com a Confederação de Tiro e, do lado, o Centro Nacional de Hipismo, com a Confederação Brasileira de Hipismo. Nós temos também, em Blumenau, o Centro Nacional de treinamento de Handebol. O que nós acreditamos é que é importante especializar os centros com equipamentos qualificados e mobilizar os melhores profissionais.

 

CE: Como assim?

OSJ: No tiro, por exemplo, nós temos treinadores italianos aqui. E eles têm uma bela tradição no tiro esportivo. No handebol, temos um treinador espanhol e a Espanha é um país que tem muita força e experiência positiva nesta modalidade. Então, o nosso esforço é esse, ou seja, o de reunir o que há de melhor no mundo, seja em equipamentos, seja em profissionais, enfim, em tudo que possa contribuir com o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de cada modalidade.

 

CE: Ministro, obrigado pela entrevista.

OSJ: Foi um grande prazer falar com você.

 

                             

Confrade Martinho, Ministro do Esporte e Confradessa Elis

 

 

Confraria dos Esportes: Aurélio Miguel, a Confraria dos Esportes em geral e a coluna Pena de Ouro, em particular, defende a contratação vitalícia pelo governo federal dos atletas que conquistaram medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos. Em contrapartida, esses atletas trariam toda a experiência adquirida em suas carreiras esportivas e, principalmente, colaborariam no surgimento de outros atletas de ponta. Isso já ocorre na Rússia, por exemplo. O que você acha disso?

Vereador Aurélio Miguel: Isso acontece também na Coréia do Sul. Bom, eu fico triste porque, na verdade, no Brasil aproveita muito pouco as experiências positivas. E não só no esporte, mas em vários setores. Acho que se o Brasil conseguir fazer essa correção, onde os grandes atletas das diversas modalidades possam participar do processo esportivo brasileiro, através da experiência, seja dando aulas, seja como auxiliares técnicos, seria fundamental. O Brasil entrou no grau de investimento, está caminhando para ser uma das grandes potências mundiais. Por isso, temos que ter paciência e aproveitar o momento, que é agora. O Brasil está fazendo tudo certo e, sem dúvida alguma, o esporte também vai crescer na mesma proporção. Ou seja, o país está com uma economia firme, forte, com oportunidade de emprego para todos. Então, o Brasil vai se tornar uma grande potência em todos os aspectos, e o esporte vai crescer junto e aí nós temos que aproveitar bem aqueles que fizeram história no esporte brasileiro.

 

                                   

Confrade Martinho entrevistando Aurélio Miguel

 

CE: Você concorda com a opinião de alguns dirigentes de grandes clubes que dizem não valer a pena investir em outros esportes que não o futebol, como acontece no caso de clubes como o São Paulo, o Palmeiras, o Inter-RS ou o Corinthians?

AM: Eu acho que o pessoal tem a visão muito curta. Eles parecem não conseguir enxergar a “floresta, mas apenas as árvores”. Hoje, por exemplo, existe a possibilidade de se firmar parceria com a cidade de São Paulo, através de organizações sociais. Um clube ou mesmo uma Federação podem ser uma organização social.

 

CE: Então você quer dizer que um clube ou uma Federação estão “perdendo tempo”?

AM: Os clubes e as Federações estão perdendo a grande chance de fazer projetos sociais, aliados com as Prefeituras, nos espaços públicos. No caso da cidade de São Paulo, por exemplo, poderiam fazer uma “escolinha do Palmeiras” ou uma “escolinha do São Paulo”, cada qual na sua região. Todos sabem que esses clubes vendem jogadores para a Europa. Oras, então vamos “fazer” esses jogadores a um custo baixíssimo. Além disso, estarão fazendo uma ação social importante, lembrando que eles (os clubes) são beneficiados por lei, tanto na esfera municipal, como na estadual e na federal.

 

                             

Confrade Martinho cumprimenta campeão olímpico de judô

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